Continuamos com o mesmo assunto do tópico anterior, Educação, desta vez disponibilizaremos um outro texto bem interessante, que pode ser encontrado no livro Pedagogia Espírita: um projeto brasileiro e suas raízes, escrito por Dora Incontri. O texto se encontra na Epígrafre deste livro.
O texto foi escrito no século XIX, mas como podemos perceber também é bem atual. Podemos constatar que, infelizmente, avançamos muito pouco no campo educacional.
“Nos meios universitários reina ainda completa incerteza sobre a solução do mais importante problema com que o homem jamais se defronta em sua passagem pela Terra. Essa incerteza se reflete em todo o ensino. (…) Daí o desânimo precoce e o pessimismo dissolvente, moléstias das sociedades decadentes, ameaças terríveis para o futuro…
As teorias do além-Reno, as doutrinas de Nietzsche, de Schopenhauer, de Haeckel, etc. muito contribuíram, por sua parte, para determinar esse estado de coisas. Sua influência por toda parte se derrama. Deve-se-lhes atribuir, em grande parte, esse lento trabalho, obra obscura de cepticismo e de desânimo, que se desenvolve na alma contemporânea, essa desagregação de tudo o que fortificava a alegria, a confiança no futuro…
É tempo de reagir com vigor contra essas doutrinas funestas, e de procurar, fora da órbita oficial e das velhas crenças, novos métodos de ensino que correspondam às imperiosas necessidades da hora presente. (…) A educação, sabe-se, é o mais poderoso fator de progresso, pois contém em gérmen todo o futuro. Mas, para ser completa, deve inspirar-se no estudo da vida sob suas duas formas alternantes, visível e invisível, em sua plenitude, em sua evolução ascendente para os cimos da natureza e do pensamento.
Os preceptores da Humanidade têm, pois, um dever imediato a cumprir. É o de repor o Espiritualismo na base da educação, trabalhando para refazer o homem interior e a saúde moral. É necessário despertar a alma humana adormecida por uma retórica funesta; mostrar-lhe seus poderes ocultos, obrigá-la a ter consciência de si mesma, a realizar seus gloriosos destinos.”
Léon Denis
Paris, 1908